Amor de alma gêmea

“Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.”

As pessoas mais do que nunca, na nossa geração, julgam ser dependentes e intimamente ligados umas as outras, como se fossem orgãos interligados e se fossem removidos trariam a morte. Precisam um dos outros para viver, para se sentirem felizes, para amar, para ter humor e principalmente para se sentirem vivos.
Hoje a maioria das pessoas começam algum relacionamento, seja ele um namoro, noivado, casamento, criando de imediato uma co-dependência emocional ao outro, afirmando veemente que encontrou sua alma gêmea e que hora és completo. Parece sentir que está faltando algo em si e que precisa de alguém para se preencher; segue o caminho em busca do “homem ou mulher” que a complete.
Ninguém nesse mundo tem o poder de te completar. Por mais perfeito seja seu julgamento sobre alguém que você está, ou se projeta, este mesmo nunca poderá te satisfazer, ou vice e versa, posto que todos nós somos incompletos por natureza, não por razão emocional-afetiva, mas sim existêncial. Vivemos na busca inconstante de nos preencher de diversos modos, mas um que predomina como fantansia, é o ilusório amor de alma gêmea.
Parte do pre-suposto que nós precisamos de uma pessoa em conjunto com uma personalidade cria por nós, afim de sermos completos essencialmente. Que precisamos de certos atributos para que o outro possa me satisfazer, ao meu lado.
A questão é que não encontraremos em lugar algum este tipo de pessoa, nem acharemos nos nossos relacionamentos.
Somos caídos por natureza. Egoísta por opção. Criamos fantansias irreais sobre os outros e todos as vezes saímos machucados e desiludidos. Não suportamos saber que o outro não quer mais continuar ou ao contrário, não suportamos dizer que não amamos mais, pelo medo da depência emocional criada e do resultado advindo do outro.
Um relacionamento só pode ser sadio se você for completo e independênte. Ser completo no sentido de saber quem você é, tendo consciência e intrepidez de amar, não por fantansia ou paixão, mas por amor, podendo ver o outro livre por ser quem é; na medida de poder amar pelo caminho da vida e não pelo caminho da ilusão.
Ser completo é ser livre. E alguém só pode ser livre em Deus, posto que nós criamos um universos de “modus operandis” a satisfazer as nossas vontades, que nada mais são o pó da vida, passando o tempo e indo junto com ele. Somente a Graça pode nos fazer livre e completo, nos livrando dos tentáculos que nos fixamos em diversas coisas, afim de dar razão ao egoísmo. Deste modo pergunto: como alguém pode amar de verdade sendo preso a tentáculos egoístas ou emocionalmente incompleto ? Como alguém pode fazer do outro uma parte do seu ser ? É doentio, é ilúsorio..

As pessoa precisam pensar mais sobre seus sentimentos. Refletir como está o seu “amor” e seu modo de amar. Ninguém pode depender de ninguém para existir. Somente dependemos de Deus para sermos completos, tendo consciência de nós mesmo, com a face para verdade, juntando duas pessoas completas para assim poderem ser felizes no amor e na vida.

O amor de alma gêmea pode até da prazer e estremecer o coração, mais o final é amargo igual absinto. Amor de alma gêmea acaba, na maioria da vezes, em omelete…

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